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Nova política do Google exige que anunciantes revelem o conteúdo gerado por IA, a partir de novembro

Daniele Savietto

De acordo com o Google, em breve, será uma exigência que os anúncios políticos revelem claramente o uso de conteúdo de IA.

A nova regra, prevista para entrar em vigor em novembro, se aplicará aos anúncios políticos tanto no Google quanto no YouTube. Dessa forma, os anunciantes políticos terão a obrigação de fornecer avisos claros e visíveis sobre o uso de IA em qualquer tipo de conteúdo. Seja ele em formato de áudio, vídeo ou imagens.

“Dada a crescente prevalência de ferramentas que produzem conteúdo sintético, estamos ampliando ainda mais nossas políticas para exigir que os anunciantes informem quando seus anúncios eleitorais incluem material que foi digitalmente alterado ou gerado.”-  Porta-voz do Google.

A mudança de política do Google terá impacto nas campanhas presidenciais de 2024

Vale a pena destacar o momento da mudança de política, que ocorre cerca de um ano antes das eleições presidenciais nos Estados Unidos em 2024. Isso porque a temporada de campanha já está em andamento, assim como os anúncios políticos com conteúdo de IA.

Dessa forma, essa mudança de política também afetará os anúncios de campanha em diversos países que terão eleições importantes no próximo ano. Isto inclui a União Europeia, África do Sul e Índia. Embora as campanhas políticas tenham usado vídeos, áudios e imagens falsas por muito tempo, a IA generativa tornou essa prática ainda mais fácil.

Já identificaram conteúdo gerado por IA em várias campanhas eleitorais para a eleição presidencial americana de 2024. Especialmente nas campanhas do governador do GOP da Flórida, Ron DeSantis.

Um vídeo postado no X como parte de sua campanha presidencial em junho incluía imagens que mostravam o ex-presidente Donald Trump abraçando o Dr. Anthony Fauci. Ele era o principal especialista em doenças infecciosas do país na época.

Destinadas a criticar Trump por não demitir o Dr. Fauci, as imagens falsas eram bastante difíceis de detectar. Elas exibiram as imagens ao lado de fotos reais dos dois juntos.  Juntamente com uma sobreposição de texto que dizia “Donald Trump na vida real”.

Regra será válida também para sites terceiros 

Além das próprias plataformas do Google, a nova regra se estenderá a sites de terceiros em sua rede de anúncios.

Em abril, o Comitê Nacional Republicano lançou um vídeo de 30 segundos em resposta à campanha oficial do Presidente Joe Biden.

O anúncio, que utilizou imagens geradas por IA para criar uma visão distópica do país após a reeleição de Biden, continha um pequeno aviso na tela que dizia: “Completamente criado com imagens de IA.”

No entanto, muitas pessoas admitiram não ter notado o aviso na primeira vez que assistiram ao vídeo.  O que é profundamente preocupante.

Além disso, a regra não se aplica a conteúdos sintéticos sem impacto nas alegações do anúncio. Já os conteúdos sintéticos com impacto real devem obedecer à regra.

Isso significa que as pessoas ainda podem utilizar a inteligência artificial para fins como recorte, redimensionamento, edições de fundo e correção de cores e defeitos sem a necessidade de um aviso.

Preocupações crescentes sobre o uso da IA em anúncios políticos

As preocupações com o uso de IA em anúncios políticos estão crescendo. Assim, especialistas em integridade da informação digital alertam que as plataformas de mídia social e os reguladores podem não estar adequadamente preparados para lidar com a onda de desinformação que pode resultar da ampla disponibilidade de ferramentas de IA.

A legisladora democrata Yvette Clarker apresentou um projeto de lei que tornaria obrigatória a inclusão de avisos em anúncios políticos para conteúdo gerado por IA.

Dessa forma, a iniciativa do Google provavelmente incentivará outras plataformas de anúncios a adotarem regulamentações semelhantes.

A Meta, empresa que controla Facebook e o Instagram, ainda não possui uma regra específica sobre anúncios políticos gerados por IA. No entanto, ela já proíbe o uso de áudio e imagens “falsificados, manipulados ou alterados” que possam contribuir para a desinformação.

Daniele Savietto

Daniele Savietto

Daniele Savietto é especialista em tecnopolíticas e sistemas de desinformação, com profundo entendimento da indústria de criptomoedas e mídia digital.

Graduada em Comunicação, possui mestrado em Jornalismo e pós-graduação em Comunicação e Mídia. Atualmente está cursando doutorado e sua pesquisa possui como foco as relações midiáticas.

Além de ter sido um investidor ativo, Daniele traz consigo anos de experiência. Apaixonada pelo papel transformador que a tecnologia pode ter na sociedade, suas habilidades de pesquisa e escrita destacam-no como um especialista na área, fornecendo informações detalhadas e bem fundamentadas sobre as últimas novidades no mundo da criptomoeda, cibersegurança e muito mais!